Natale italo-portoghese


Lezioni informali di portoghese a cura degli studenti di Lingua Portoghese – Dipartimento di Lingue e Letterature Straniere – Università degli Studi di Milano, con la supervisione dei docenti Elisa Alberani e Susana Rocha Silva

PORTOGHESE:

LINGUA e CULTURA na MESA de NATAL

O Natal aproxima-se e, porque já não pensamos noutra coisa, aproveitamos o pretexto para falar da língua que falamos à mesa, e da tradição portuguesa de juntar na mesa de Natal o bolo-rei e o bacalhau.

A tradição do bolo-rei: a fava e o brinde
Bolo redondo, em forma de coroa, com passas, frutos secos e frutas cristalizadas. Com duas surpresas dentro, que não se sabe a quem vão calhar: o brinde (pequena figura) que traz sorte, e a fava, que traz somente o azar de se ficar com a responsabilidade de comprar o bolo-rei no ano seguinte.
Nota linguística: trata-se do verbo calhar (Calhou-me a fava…,por exemplo), também muito ouvido na expressão se calhar, bem mais fácil de usar que talvez que, com o mesmo significado, obrigaria ao uso do modo Conjuntivo…! Um exemplo: Aquela ali é a Joana? Se calhar é… versus Aquela ali é a Joana? Talvez seja…
E já agora: atenção à tradução do italiano para o português do “ha toccato a me” ou “tocca a me”… em português, é bom lembrar, dada a proximidade com o verbo português tocar, diz-se calhou-me ou é a minha vez.

Bacalhau
Os pratos típicos do Natal português são vários, mas este é um caso em que o estereótipo do português amante de bacalhau lhe assenta que nem uma luva… O prato-rei da ceia de Natal, a noite da Consoada, é mesmo o bacalhau: bacalhau com todos (veja a receita). Quem são todos? a couve, a batata, o grão… No dia seguinte, o que sobrou (a ceia de Natal é tão rica que sobra sempre imensa comida), é reelaborado e renasce como prato novo, com um novo nome: roupa velha de bacalhau (veja o vídeo). Acompanhado por um bom vinho, que, ao contrário dos outros
peixes, pode ser branco ou tinto!

Um bom exemplo do valor que os portugueses atribuem ao bacalhau é o título do recente artigo do Jornal Público “Não me lembro da última vez que comi bacalhau”. Noutro país não teria, talvez, nada de extraordinário, mas em Portugal assume o peso de uma enorme e pesada renúncia: de facto, este é o título de uma das reportagens do jornal dedicadas ao tema “Ser pobre em Portugal”.

A preferência dos portugueses vai para o bacalhau seco salgado. A salga é uma forma antiga de conservação dos alimentos bem conhecido dos povos ibéricos, que, retirando a água ao alimento, permite que este se conserve à temperatura ambiente. Para ser cozinhado, tem que ser demolhado em água por longas horas.

Isto talvez nos diga muito da expressão idiomática ficar em águas de bacalhau, ou seja, ficar sem efeito, não dar em nada, não ter seguimento. A origem da expressão idiomática não é consensual: uma explicação é a de que as águas de bacalhau seriam os mares onde os bacalhoeiros portugueses pescavam, e onde tragédias teriam ocorrido, tornando assim aquele mar águas onde tudo se perde… outra explicação, bem mais simples, evoca o destino da água usada para dessalgar o bacalhau: uma água sem préstimo ou reaproveitamento possível… água que não dá em nada.

Boas festas!

ITALIANO:

LINGUA e CULTURA sulla TAVOLA di NATALE

Si avvicina il Natale e visto che non riusciamo a pensare ad altro, cogliamo l’occasione per parlare della lingua che parliamo a tavola e della tradizione portoghese di mettere insieme nella tavola di Natale il bolo-rei e il baccalà.

La tradizione del bolo-rei: fava e regalino
Torta rotonda, a forma di corona, con uva passa, frutta secca e canditi. Con due sorprese dentro, che non si sa a chi vão calhar, cioè, a chi toccheranno: il regalino che porta fortuna e la fava, che invece porta soltanto la sfortuna di dover acquistare il bolo-rei l’anno seguente.
Nota linguistica: si tratta del verbo calhar (Calhou-me a fava…, ad esempio), molto usato anche nell’espressione se calhar (che significa ‘forse’), ben più facile da usare di talvez che, con lo stesso significato, richiede l’uso del modo congiuntivo…! Un esempio: Aquela ali é a Joana? Se calhar é… versus Aquela ali é a Joana? Talvez seja…
E a proposito: attenzione alla traduzione dall’italiano al portoghese di “è toccato a me”, o “tocca a me”… in portoghese, è bene ricordare, che vista la vicinanza con il verbo portoghese tocar si dice calhou-me o é a minha vez.

Baccalà
I piatti tradizionali del Natale portoghese sono tanti, ma in questo caso lo stereotipo dei portoghesi amanti del baccalà calza come un guanto… Il piatto principale del cenone di Natale è proprio il baccalà: bacalhau com todos (guarda le ricette). Perché con todos? Perché possiamo cucinarlo con il cavolo, la verza, la patata, i ceci… E il giorno dopo, si cucinano gli avanzi (il cenone di Natale è così ricco che avanza sempre molto cibo) e nasce un piatto nuovo, con un nuovo nome: roupa velha de bacalhau (vedi il video). Accompagnato da un buon vino, che, a differenza che con altri pesci, può essere bianco o rosso!

Un buon esempio del valore che i portoghesi attribuiscono al baccalà è il titolo del recente articolo uscito sul Jornal Público “Não me lembro da última vez que comi bacalhau” (Non ricordo l’ultima volta che ho mangiato baccalà). In un altro paese forse non significherebbe niente di straordinario, ma in Portogallo assume il peso di un’enorme e pesante rinuncia: infatti, questo è il titolo di uno dei reportages dedicato al tema “Essere poveri in Portogallo”.
La preferenza dei portoghesi è per il ‘baccalà secco salato’. La salatura è un’antica forma di conservazione degli alimenti ben noto alle popolazioni della penisola iberica: eliminando l’acqua all’alimento, gli permette di conservarsi a temperatura ambiente. Per essere cucinato, deve essere lasciato in ammollo nell’acqua per tante ore.

Questo potrebbe dirci molto sull’espressione idiomatica ficar em águas de bacalhau, ossia non essere efficace, non portare a nulla, non avere seguito. L’origine di questo detto non è unanime: la spiegazione è che le águas de bacalhau sarebbero le acque in cui i pescatori di baccalà pescavano e dove si verificavano molte tragedie, trasformando così quel mare in ‘acque in cui tutto viene perduto’… un’altra spiegazione, più semplice, evoca il destino dell’acqua usata per dissalare il baccalà: un’acqua inutile, senza alcun riutilizzo possibile… acqua che non dá em nada (porta a nulla).

Buone feste!

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