Un pizzico di grammatica…


Lezioni informali di portoghese a cura degli studenti di Lingua Portoghese – Dipartimento di Lingue e Letterature Straniere – Università degli Studi di Milano, con la supervisione dei docenti Elisa Alberani e Susana Rocha Silva

PORTOGHESE

O caso do infinitivo pessoal português!

É um facto que muitas estruturas gramaticais da língua portuguesa também existem na língua italiana, mas há algumas peculiaridades na língua portuguesa que pertencem apenas, ou quase, a ela.

A língua portuguesa tem muitos tempos verbais à sua disposição, alguns dos quais podem surpreender um estudante italiano porque não têm um equivalente na sua língua materna.

Um exemplo é o infinitivo pessoal, uma tipologia de infinitivo que se conjuga: é um tempo verbal que a maioria das vezes não provoca muitas dificuldades na aprendizagem, mas simplesmente não se torna natural o seu uso pelos estudantes italianos.

E como é que se faz este tempo? Apenas adiciono as desinências ao meu verbo infinitivo, por exemplo, o infinitivo pessoal do verbo comer é: eu comer, tu comeres, ele/ela/você comer, nós comermos, eles/elas/ vocês comerem.

E quando se usa? É usado como o infinito impessoal, mas difere deste porque explico quem executa a ação: serve para definir quem faz a ação, juntando as desinências do futuro do conjuntivo.

Uma frase como ‘è ora di mangiare’, em italiano fica genérica, não é especificado quem deve comer. Em português, por outro lado, é possível especificar quem: É hora de comer em português tem o mesmo significado genérico que em italiano, mas se eu quero dizer que és tu que tens de comer, posso dizer É hora de comeres.

Este tempo parece existir só na língua portuguesa e na língua galega, entre as línguas neolatinas, e só na língua húngara entre as línguas de outras famílias. Porém, é só uma hipótese, porque faltam trabalhos que demonstrem a existência noutras línguas do equivalente ao infinitivo pessoal português; isto não significa que não existam.

De onde provém este curioso infinitivo?
O estudioso Said Ali sustenta que “(…) este infinitivo se encontra nos mais antigos monumentos da língua portuguesa, parecendo ter nascido com o próprio idioma” (por exemplo em textos do século XII já é possível o encontrar).

Existem várias hipóteses acerca da história deste tempo verbal, mas até hoje não temos nenhuma certeza. As hipóteses mais credenciadas são duas:
1) Muitos autores explicam a origem do infinitivo pessoal no imperfeito do conjuntivo latino. O estudioso Gamillscheg viu no infinitivo pessoal a continuação do imperfeito do conjuntivo latino. “Quer dizer, o imperfeito do conjuntivo continuava vivo quando surgiu no sistema verbal hispano‑português com o mesmo significado, o infinitivo pessoal”.

2) Para a maioria de linguistas a origem do infinitivo pessoal está no infinitivo impessoal. Portanto, um tempo que nasceu ‘simplesmente’ do infinitivo impessoal através da adição das desinências pessoais.
Atualmente esta última hipótese é a mais credenciada, mas não há certeza filológica. Permanece o facto de que é um dos tempos verbais mais usados na língua portuguesa, mesmo no cotidiano e na informalidade.

ITALIANO

Le stranezze dell’infinito ‘personale’ portoghese!

È vero che molte strutture grammaticali della lingua portoghese esistono anche nella lingua italiana, ma ci sono delle peculiarità nella lingua portoghese che appartengono solo, o quasi, a lei.

La lingua portoghese ha a sua disposizione molte forme verbali, alcune delle quali possono sorprendere uno studente italiano in quanto manca un equivalente nella propria lingua madre.

Un esempio tra tutti è l’infinito personale, ossia una tipologia di modo infinito che si coniuga alle varie persone: è un tempo verbale che di solito non provoca molte difficoltà d’apprendimento, ma semplicemente non viene spontaneo il suo utilizzo.

Come si fa questo tempo? Molto semplicemente aggiungo alcune desinenze al verbo all’infinito, per es. l’infinitivo pessoal del verbo comer risulterebbe eu comer, tu comeres, ele/ela/você comer, nós comermos, eles/elas/vocês comerem.

E quando si usa? Si usa come l’infinito ‘impessoal’, ma si differenzia da questo perché rendo esplicito chi compie l’azione se non è chiaro nella mia frase: serve a definire chi fa l’azione, aggiungendo le desinenze del futuro del congiuntivo.

Una frase come ‘è ora di mangiare’, in italiano resta generica, non viene specificato chi debba mangiare. In portoghese, invece, è possibile specificare chi: É hora de comer in portoghese ha lo stesso significato generico dell’italiano, ma se voglio dire che sei tu che devi mangiare: É hora de comeres.

Sembra che questo tempo verbale esista solo in portoghese e galiziano, tra le lingue neolatine, e solo nella lingua ungherese, tra le lingue di altre famiglie. È però solo un’ipotesi, perché mancano studi che dimostrino l’esistenza in altre lingue di una forma equivalente all’infinito personale portoghese, ma ciò non significa che non esistano.

Da dove viene questo infinito particolare?
Lo studioso Said Ali sostiene che “(…) questo infinito si trova nei documenti più antichi della lingua portoghese, nato apparentemente con la lingua stessa” (ad esempio nei testi del XII secolo è già possibile trovarlo).

Ci sono diverse ipotesi sulla storia di questo tempo verbale, ma fino ad oggi non abbiamo alcuna certezza a riguardo. Le ipotesi più accreditate sono due:
1) Molti autori spiegano che è possibile riscontrare l’origine dell’infinito personale nell’imperfetto del congiuntivo latino. Lo studioso Gamillscheg vide nell’infinito personale la continuazione dell’imperfetto congiuntivo latino, “Vale a dire, l’imperfetto del congiuntivo era ancora vivo quando apparve nel sistema verbale spagnolo-portoghese, con lo stesso significato, l’infinito personale.”

2) Per la maggior parte dei linguisti l’origine dell’infinito personale è invece riscontrabile nell’infinito impersonale. Dunque un tempo che è nato ‘semplicemente’ dall’infinito impersonale attraverso l’aggiunta di desinenze. Attualmente quest’ultima ipotesi è la più accreditata, ma non vi è certezza filologica. Rimane il fatto che è uno dei tempi verbali più usati nella lingua portoghese, anche nella vita quotidiana e nell’informalità.

 

 

 

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